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A motivação organizacional consolidada em tempos de isolamento

A consolidação da cultura organizacional surge a partir das práticas diárias e das metas alcançadas ou que ainda estão em andamento dentro das organizações. Em prol de uma consolidação eficiente, é fundamental pensar em como a motivação dos colaboradores se fundamenta, visto que essa está intimamente ligada a produtividade dos mesmos. Diante disso e do cenário atual algumas questões surgem inevitavelmente, como: será possível manter práticas de incentivo a motivação em momentos de isolamento e reajustes estruturais e ainda sim conseguir estar preparado para os desdobramentos da pandemia do novo Coronavírus?

É fato, estamos diante de uma situação nunca vista antes; empresas passando por mudanças estruturais drásticas em poucos dias, muitas vezes com poucos recursos para tal processo, a situação por si só é alarmante. Nesse sentido, é preciso aprender a lidar não só com a complexidade do cenário atual que nos impacta, mas também com o alto grau de incerteza que as mudanças podem provocar no âmbito profissional e nos colaboradores das diversas organizações.

Ao tratamos de motivação, precisamos entender que a mesma não procede como um produto acabado, mas sim um processo que se configura a cada momento, no fluxo contínuo da vida. Além disso, é algo intrínseco, fruto daquilo que está dentro de cada um de nós, surgindo de necessidades e desejos interiores individuais. Como consequência dessa definição, é comum que a diferença entre motivação e estímulo acabe sendo equivocada, visto que é preciso entender que os estímulos são provenientes do exterior e esses sim são capazes de impulsionar a motivação quando alinhado a busca íntima de cada pessoa.

Nesta lógica, para entender um pouco mais o conceito de motivação, podemos usar como referência ensinamentos deixados por Freud – pai da psicanálise – uma vez que o mesmo estudava os conteúdos psicológicos, aqueles caracterizados por serem diferentes de pessoa para pessoa e capazes de nos guiar para determinada direção, podendo ser ou não influenciados por fatores externos. Esses estímulos nas organizações – fatores externos – se dão pelo processo de incentivo da busca de significado e valor no trabalho, realizada por cada funcionário, promovendo de fato a motivação e o ímpeto de crescer junto com a empresa, tendo seus objetivos pessoais alinhados aos objetivos da organização que pertence.

Os processos motivacionais nas organizações são extremamente ricos, incluem estratégias de alinhamento de expectativas, estímulo da adesão dos valores, propósitos e missão, além de garantir a satisfação dos colaboradores. Logo, retomando a questão trazida no início, como entender esse cenário e como agir diante dele, considerando o isolamento exigido na situação atual? O primeiro passo para se estruturar uma estratégia eficaz é entender o contexto macro de sua empresa e verificar como o cenário vem afetando seus colaboradores, afinal só se pode traçar planos de ação eficientes quando conseguimos entender como a questão vem se projetando em determinada realidade.

A peça chave para compreensão se dá através de uma análise do ambiente de trabalho, uma vez que o isolamento propõe uma realidade e vivência nunca vista antes, não somos capazes de medir nesse primeiro momento seus impactos nos colaboradores e consequentemente nas organizações. Esse mapeamento de clima organizacional irá identificar a conjuntura de vários aspectos das mudanças ocorridas e assim identificar elementos específicos para que a motivação possa ser promovida – mesmo que a distância.

Em decorrência da análise, a prática “inspirar” se torna mais tangível e os pontos mais benéficos têm a ver, principalmente com a anuência dos funcionários em sua organização. Assim sendo, investir em um mapeamento personalizado impulsiona tomadas de decisões embasadas para o momento atual e permite um posicionamento certeiro de sua empresa no mercado de trabalho, driblando consequências que o cenário de isolamento poderia proporcionar.

Escrito por Maria Fernanda Mafra, graduanda em Psicologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Diretora de Gestão de Pessoas na Consultoria RH Junior.