Modernidade líquida nas organizações: sociedades consumistas e efêmeras

Segundo o sociólogo polonês radicado em Londres, Zygmunt Bauman, a era que vivemos agora é o que se pode chamar de Modernidade Líquida. Para ele   uma sociedade em crises (seja ideológica ou de projetos pessoais), onde a dúvida, a incerteza, o egocentrismo e o fascínio pelo desapego são os nossos pilares.
Justamente tudo se torna superficial a partir do momento em que a informação circula de uma forma nunca antes vista. Essa velocidade, rapidez, fluidez coincide com a geração Millenium – geração dos nascidos de 80 até então, dos conectados, da tecnologia, dos multitarefa.
Todos falam sobre tudo, sabem tudo, mas ninguém se compromete. E assim o trabalho na pós-modernidade ganha um caráter cada vez mais enigmático. Muito apontado por Bauman, a falta de projetos pessoais que visem o futuro, se importando apenas com o presente, acarreta na falta do sentimento de uma estabilidade.
Somado a um individualismo possessivo, fascínio por mercadorias e a constante autopromoção, a geração selfie tende a cair em um buraco sem fim.
Como afirma o psiquiatra francês Pierre Jamet: “o interesse da conquista é o de assegurar o próprio valor, mais do que o prazer compartilhado”.
E como esperar uma mudança nesse estilo de vida? O que deve surgir para mudar essa zeitgeist (em alemão: o espírito do tempo que vive determinado sujeito histórico) ?
Bebendo da inspiração do filósofo político Leo Strauss conseguiremos talvez a resposta. Ele afirma: “Criticamos o mundo, nunca estamos satisfeitos, mas raramente sabemos o que fazer com nossas críticas”. Começarmos a enxergar o coletivo, ser altruísta para com o próximo é um dever. No próprio contexto do trabalho, uma tão importante instituição social, conseguimos o primeiro passo: definir as importâncias das relações, procurar o auxílio a alguém tão querido, estourar essa bolha que nos envolvemos.
Assim somente deste jeito sairemos da famosa retórica a qual estamos subjugados: nos afastamos de quem estamos próximos, e nos aproximamos de quem está longe.

Por Luís Bernardo, graduando em Psicologia no Mackenzie e trainee da área de Institucional na RH Junior Consultoria.